Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

Entrevista: Holocausto Canibal

Seis anos sem originais não foram seis anos em silêncio. Z. Pedro, Eduardo F. e Diogo P., esclareceram Via Nocturna a este respeito e fizeram a apresentação do que se pode ouvir em Gorefilia, o novo trabalho dos cada vez mais bizarros Holocausto Canibal.

O novo álbum, Gorefilia, já está aí. O que nos podem adiantar em relação a esse lançamento? Aparentemente algumas mudanças em termos sonorosa e líricos…
Eduardo F. - O que foi variando ao longo dos álbuns foi sem dúvida a abordagem a essa mesma sonoridade. Estamos em crer que o Gorefilia consegue equilibrar e consolidar essa sonoridade com melhor qualidade, senão vejamos: temas relativamente curtos e diretos à semelhança do Gonorreia Visceral, o aspeto mais groovy começado no Sublime Massacre Corpóreo, uma aura mais negra abordada no Líbido Dispareunia e uma maior complexidade estrutural atingida com o Opusgenitalia. Estes ingredientes que foram surgindo e evoluindo no seio da banda consolidaram-se neste último álbum e claro que a evolução do line-up também contribuiu para essa estruturação que, apesar de poder não parecer, não foi pensada mas sim resultado da convivência na sala de ensaios e ao vivo. Claro que as referências de clássicos do death metal e do gore grind permanecem, todos nós temos os nossos "clássicos". Em termos líricos é que poderá notar-se mais essa homenagem, talvez devido ao carácter conceptual de todo o álbum e à incursão por temáticas mais obscuras, mas se existe essa homenagem é feita de forma inconsciente.

Z. Pedro - A componente lírica deste álbum é uma viagem conceptual sobre parafilias, desvios comportamentais, padrões sexuais atípicos, amor bizarro... culminando muitas das vezes o processo, no habitual tingir do esperma por sangue. Sempre me interessei por esta temática. O número de parafilias existentes sofre atualizações constantes e por vezes chego à conclusão que existe uma parafilia possível para quase tudo! Depois de alguns álbuns a sorver da fonte patológica, forense, cirúrgica, anatómica… e mais recentemente ter estado aprisionado na temática genital, impunha-se uma mudança de conteúdos. Claro que a construção de cada conceito de álbum é antecedida por bastante pesquisa e leitura. Muitas das vezes o bloqueio causado pelo papel em branco exerce a sua influência, mas quando a fluidez criativa é finalmente despoletada, os textos surgem de forma bastante natural e espontânea. Curiosamente todas as letras do anterior Opusgenitalia eram consideravelmente mais densas e complexas e foram escritas em poucos dias, desta vez embora tenha havido uma simplificação intencional, no sentido de torná-las mais directas, o processo foi consideravelmente mais moroso. Acho que no Gorefilia podemos assumir que pela primeira vez temos refrões orelhudos nos nossos temas, passíveis até de serem cantados ou vociferados pelo público. Desta vez cinco letras não são da minha autoria o que contribui obviamente para uma maior diversidade! Começando pelo David Soares, sempre fui um consumidor da sua obra desde o Mostra-me a tua Espinha e sempre me ocorreu que um dia ele nos pudesse ceder alguma da sua escrita para Holocausto Canibal. Poder usufruir na Acrotomofilia Zoófila da sua minúcia e morbidez descritiva, sempre patente nos seus contos de terror, é algo que muito nos orgulhamos e podemos desde já avançar que esta colaboração não termina com o Gorefilia! Em relação ao Charles Sangnoir [La Chanson Noire], que contribuiu com a Putrescência Necromântica, revelou possuir uma mente [provavelmente] mais rebuscada que nós próprios e não podíamos de forma alguma abdicar dos seus escritos. Quanto ao Fuse, não só escreveu a Supremacia Carnívora e a Vorarefilia –Antropofagia Auto-Infligida II, como fez ainda um tema de raiz, Fascínio Paradoxal, que por toda a negritude e força que transporta conquistou naturalmente a posição de fecho do álbum.

Trata-se do vosso primeiro trabalho de originais em seis anos. Alguma razão para este hiato?
Z.Pedro - Um hiato editorial de 6 anos pode fazer crer que estivemos apaticamente ligados ao ventilador, mas na verdade acabou por ser um dos períodos mais prolíferos a nível de edições e entradas em estúdio do nosso percurso. Gravamos temas para mais de 10 tributos e split CD’s dos quais se destacam: Cock and Ball Torture, Carcass, Gut, Dead Infection, Blood, Malignant Tumour, Mata-Ratos, etc… alguns já editados outros ainda a aguardar edição. Editamos o Visceral Massacre Memorabilia [que para além da reedição dos dois primeiros álbuns Gonorreia Visceral e Sublime Massacre Corpóreo incluiu ainda alguns inéditos e tivemos efetivamente uma boa agenda internacional possibilitada pelo anterior Opusgenitalia. Outro grande consumidor de tempo e causador de incompatibilidade, deveu-se à edição de álbuns de estreia por parte de elementos comuns a bandas paralelas e em particular à grande atividade ao vivo de Grunt pela Europa. A culpa em parte também foi dos promotores que continuaram sempre a convidar-nos para os seus eventos, mesmo sabendo que o nosso alinhamento não iria diferir muito da anterior vez que lá tocamos… e deixar assim que ruminássemos o nosso live set para lá do desejável. Se alguém tivesse dito: “Basta! Agora só cá voltam com temas novos!”, seguramente já tínhamos saído da hibernação editorial há mais tempo. Agora o objetivo é voltar a ter um ritmo de lançamentos mais prolífero e célere tal como nos primórdios da banda.

Diogo P. - A mudança de formação foi sem dúvida um dos principais fatores que contribuiu para esta demora. O line-up atual está no ativo desde 2009 apenas e envolveu todo um processo de aprendizagem, consolidação e estabilização que muitas vezes foi mais complicado que o que parece. Seria negar o inegável se disséssemos que as alterações de formação não contribuíram para a já muitas vezes referida “mudança de sonoridade”, contudo continua a ser HC no seu núcleo. Com o passar do tempo e desde que se estabeleceu esta formação não só tentamos aprimorar a música como banda como também tem havido um longo e árduo trabalho individual no sentido de melhorar as nossas performances como músicos. Todo esse trabalho de casa, a convivência com outros músicos quer em concertos quer noutras formas de contacto acaba por contribuir positivamente para a evolução da banda. Somos uma entidade coletiva e quando há evolução individual isso reflete-se no grupo e por aí em diante.

Este será um lançamento internacional através da Xtreeme Music. Como se processou esse contacto?
Z.Pedro – Em inícios de 2009 fechamos contrato com uma editora através da qual era suposto editarmos o Gorefilia. Após alguns incumprimentos contratuais por parte da editora seguimos o impulso de procurar um novo selo para lançar este álbum, mas na verdade acabamos por encontrar 3!Decidimos prospetar todo o mercado existente, desde micro editoras sul americanas até gigantes da indústria musical. No total surgiram inúmeras propostas de edição, algumas delas com ofertas bastante modestas é certo, mas todas elas contribuíram para nos sentirmos orgulhosos por todo o interesse demonstrado na banda. Quanto a termos duas edições distintas, a internacional via Xtreem Music e a Raising Legends/Raging Planet em território nacional, foi principalmente por termos sentido no passado algumas lacunas a nível de distribuição e promoção por cá e a necessidade crucial de colmatar essas falhas com este álbum. De referir que as edições serão inteiramente distintas, mesmo a nível de apresentação/formato. A opção pela Xtreem Music acabou por ser bastante óbvia! Em 1997 aquando da formação de Holocausto Canibal, bandas como Incantation, Vader, Deranged, Immolation, Deeds Of Flesh… para além de serem uma influência indireta na nossa sonoridade, tinham também em comum o facto de terem editado trabalhos pela mítica Repulse Records. Esta editora viria a dar origem anos mais tarde à Xtreem Music, que continuou manter bem viva a música extrema ao longo de mais de 100 edições! É portanto para nós uma grande honra e orgulho fazer parte deste incontornável legado de Death Metal!

Eduardo F. – …E para nós reveste-se também de grande importância, termos um conhecimento prévio dos responsáveis pelas editoras com as quais negociamos. Já conhecemos o Dave Rotten [Xtreem Music A&R] há mais de uma década. Partilhamos por diversas vezes palcos de festivais internacionais, já tendo inclusivamente participado nalguns temas nossos ao vivo.

Como referiram, em solo nacional trata-se de uma parceria entre a Raising Legends e a Raging Planet numa edição diferente da internacional Em que consistirão essas diferenças?
Z.Pedro - A edição nacional a cargo da Raising Legends/Raging Planet é em formato digipack e o encarte terá algumas secções adicionais em relação à edição internacional da Xtreem Music que tem um aspecto intencionalmente mais old school. Ambas as edições irão conter um extenso booklet de 16 páginas onde para além das letras e todos os outros conteúdos habituais figuram também imagens alusivas a cada uma das parafilias abordadas.

Este é um disco que conta com alguns convidados de peso. Podes apresentá-los? E que papel desempenharam na estrutura final dos temas?
Diogo P. - As diferentes colaborações foram fruto do nosso percurso dos últimos anos - as amizades estabelecidas, as opiniões ouvidas e acima de tudo uma prova do reconhecimento que nos é dado na música portuguesa. As diferentes colaborações contribuíram com cor e textura, tornando o Gorefilia num álbum multidimensional, algo diferente da habitual chapa 3 death metal/grind. Enriqueceram o produto final também numa perspectiva de composição, pois abrimos o nosso leque de ferramentas e sonoridades, algumas delas introduzidas já durante o processo de finalização e em muitos outros cenários. A contribuição de terceiros nas letras permitiu-nos dar outra roupagem aos temas, a introdução de samples permitiu distanciar-nos da sonoridade passada [em que já utilizávamos introduções nos temas] na medida em que foram trabalhados propositadamente para e com a música, a introdução de vozes convidadas quebrou a monotonia do "grunho" e do álbum e até tornando o álbum mais pesado e metálico do que aquilo que seria de esperar. Curiosamente ou não, o Fuse de Dealema terá contribuído com a dimensão mais negra do álbum e isso só prova que podemos aventurar-nos noutros espectros musicais mantendo a nossa identidade e absorvendo uma série de elementos que só nos melhoram como músicos, indivíduos e como banda. As restantes participações estiveram a cargo de: Max Tomé [Colosso], Nuno P. [ex-Holocausto Canibal], Fabrice Costeira, Miguel Newton [Mata-Ratos] na Goree Gajas, Nocturnos Horrendus [Corpus Christii] na Orifícios e Conde de Samodães na Objectofilia Platónica.

Como decorreu o processo de gravação de Gorefilia?
Z.Pedro - A captação do álbum decorreu nos Estúdios213, do produtor Bruno Silva (Grunt, Heavenwood). Acabou por ser uma escolha bastante espontânea e natural visto já termos gravado alguns dos temas para tributos e splits neste mesmo estúdio, sabíamos portanto que todo o processo de gravação iria ser bastante fluído e que a nossa química com o produtor seria muito boa e essa é sem dúvida uma das características que sempre consideramos cruciais aquando de uma escolha final. Já a mistura e masterização ficou a cargo da conhecida dupla de produtores polacos (Wojtek e Slawek) responsáveis pelos míticos Hertz Recording Studios. Sempre nos identificamos com produções verdadeiramente avassaladoras de bandas como Behemoth, Decapitated, Vader, Severe Torture etc e já há bastante tempo que queríamos recorrer ao Hertz. Como desta vez o budget editorial para gravação o permitiu, conseguimos finalmente concretizar esse antigo objetivo. Lembro-me que durante umas férias que os Dead Infection passaram connosco em Portugal, termos perguntado como tinha sido gravar o Brain Corrosion nos Hertz e todas as referências que nos deram sobre o método de trabalho usado e o entusiasmo com que o fizeram foram excelentes, pelo que desta vez não podíamos mesmo deixar passar esta oportunidade. Agora corroboramos tudo o que nos tinham transmitido e achamos notável a forma como compreenderam e assimilaram o nosso som e nos proporcionaram indubitavelmente a produção mais forte da nossa discografia, sem no entanto descaracterizar a personalidade de Holocausto Canibal.

No final de 2011 estiveram a recrutar Cannibal Girls para o vosso primeiro vídeo. Como correram os castings? E que nos podes dizer do resultado final?
Z.Pedro – Em Outubro foram feitos alguns castings e escolhidas algumas localizações. Posteriormente analisámos alguns guiões e story boards que foram gentilmente elaborados a pensar em nós e começamos há semanas a gravar os videoclips. Na verdade serão realizados vários e estou em crer que mais uma vez o universo bizarro estará bem presente. Em 15 anos nunca tivemos nenhum por isso queremos que o primeiro seja especial, como uma primeira vez. Consideramos que a época e a evolução tecnológica que estamos a viver é a mais propícia para tal, por isso estamos a levar as coisas com calma e precisão tal e qual um desfloramento deve ter.

A terminar, o que temos em termos de concertos para os próximos tempos?
Eduardo F. - Intencionalmente queremos que o álbum respire um pouco e tenha a maior audição possível antes de o começarmos a apresentar ao vivo. Para já em promoção ao Gorefilia materializamos em abril: dia 25 – Barroselas [concerto especial com uma Banda Filarmónica], dia 30 – Barroselas - XV SWR Fest. Em maio: dia 5 – Lisboa – Jurassic Fest, dia 19 -Porto – Apresentação Gorefilia. Os próximos serão: em junho: dia 01 – Salamanca –Espanha, dia 02 – Palencia – Brutologos 2012 - Espanha, dia 08 – S.P. Sul - Areeiro Open Air, dia 29 – Guimarães – Mass Execution Fest. Contudo muito mais datas estão neste momento a ser negociadas e serão anunciadas em breve no nosso site www.holocaustocanibal.com. Fiquem atentos! GRIND ON!!!

Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

Playlist 31 de maio de 2012

(clicar na imagem para ampliar)

Curtas II

Com o último concerto da digressão do disco de estreia a realizar-se já no próximo dia 16 de junho em Odivelas,  os Inkilina Sazabra já lançaram o seu 3º e último single da era A Divina Maldade, em jeito de celebração. O single é intitulado precisamente Inkilina Sazabra e o vídeo já pode ser visto aqui.
A banda sueca de prog rock The Flower Kings irá regressar a Portugal, no dia 12 de setembro, para um espetáculo no Paradise Garage em Lisboa. O mais recente álbum Banks of Eden, com edição prevista para 18 de junho, é o primeiro disco de originais em cinco anos por parte da banda liderada pelo vocalista e guitarrista Roine Stolt (também dos Transatlantic) e será editado pela InsideOut Music.

O dia 31 de maio fica marcado pela edição de SAMCA dos açorianos Sanctus Nosferatu. São 9 temas de violento black/death metal com destaque para a vocalista Camila Morticia com os seus guturais furiosos. Samca foi gravado por Ruben Moniz nos Nebur Records Studios, em São Miguel e misturado e masterizado por André Tavares (Grog, Seven Stitches), em Lisboa. O artwork foi assinado pelo artista alemão Martin Fischer (Fear My Thoughts, Pigeon Toe).

Outras notícias extremas chegam-nos dos progressivos Malevolance que acabam de divulgar o artwork do seu aguardado 3º álbum, Antithetical, sucessor do bem recebido Martyrialized, de 1999. Para esta nova proposta, ao núcleo duro da banda (Carlos Cariano – vocais/guitarras; Aires Pereira – baixo; Fred Noel – guitarras e Paulo Pereira – teclados) junta-se o extraordinário baterista Dirk Verbeuren (Soilwork, The Devin Townsend Projet, Jeff Loomis)

Os doomsters nacionais Process Of Guilt tem todo o seu novo álbum Faemin em streaming no Bandcamp. Com 11 de Junho como data prevista de edição este novo trabalho sairá com o selo Division Records.

Curtas

Os Adorned Brood, banda pioneira no pagan metal germânico nascida em 1993 e os turcos Soul Sacrifice, banda de death metal com influências orientais assinaram pela editora Massacre Records. O próximo álbum da banda de Istambul, intitulado Carpe Mortem foi misturado e masterizado por Dan Swano e será lançado a 29 de junho.
O superprojeto australiano Empires Of Eden tem disponível samples de todo o seu novo álbum, Channelling The Infinite. As canções podem ser ouvidas em streaming aqui.

Os Seven Thorns, banda de power metal dinamarquesa, entraram nos Media Sound Studios para gravarem aquele que será o seu segundo trabalho. De acordo com o guitarrista Gabriel Tuxen, esta nova proposta será a continuação da sua aclamada estreia com a adição de mais elementos técnicos.

Após a pacífica saída de Ederson Prado e da minuciosa escolha do novo baixista, os Phornax encontraram o seu novo integrante, Uesti Pappeé. A banda prepara-se, agora, para o lançamento de seu CD e para uma série de shows a serem anunciados ainda este ano. Enquanto isso continua a divulgação do EP Silent War, que tem obtido comentários positivos da imprensa e fãs de Metal em geral.


Os Phobos Corp. anunciaram que irão comemorar o lançamento do seu EP Felicity disponibilizando a totalidade do trabalho para audição stream aqui. Esta festa de lançamento online decorrerá entre as 11 e as 23 horas de hoje.
Um novo tema dos Chainfist, 10.000 Days está disponível para audição aqui. Este tema foi gravado nos Six String Studios Søren Jensen e foi misturado e masterizado por Jacob Hansen nos Hansen Studios.


O novo álbum dos suecos Katana, Storms Of War, tem o seu álbum para audição, na íntegra, no site da Terrorizer.

Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Review: Prelude (Confidence)

Prelude (Confidence)
(2012, Edição de Autor)

O mundo digital dos dias atuais mudou, de forma indelével, a forma da existência da indústria musical. Toda a gente sabe isso e os suecos Confidence também. Por isso a banda aposta primordialmente numa abordagem diferente para a divulgação da sua música. Nada de longos trabalhos, submetidos às leis do mercado discográfico, com ligações a editoras. Se os atuais canais digitais de promoção e distribuição o permitem, porque não apostar neles? A ideia dos Confidence é ir disponibilizando os seus temas à medida que eles vão ficando prontos. Pequenos conjuntos de quatro/cinco temas pelo menos duas vezes por ano. E é nesta filosofia que se enquadra Prelude. Desde logo a banda não o considera um EP. É antes o primeiro desses pequenos conjuntos em formato digital. E musicalmente? Bom, Prelude apresenta nos seus quatro temas metal de grande qualidade, carregados de emotividade e muito bem trabalhados. Um dos pontos fortes é a prestação vocal num trabalho que, apesar de curto, revisita vários estilos sem limite à criatividade. Por exemplo, a abertura Flesh And Skin introduz elementos orientais que a aproxima do trabalho dos Myrath, enquanto em Never Meant To Be, as linhas de piano guiam o melhor tema e o conduzem para campos de Jon Oliva. War Torn Skies é a faixa mais pesada e, simultaneamente, mais progressiva, enquanto o tema final, Poison Lies, se revela o mais criativo. Adulto, emotivo e tecnicamente evoluído, Prelude é um trabalho que merece ser ouvido e, acima de tudo, sentido e vivido.

Tracklist:
1.      Flesh And Skin
2.      War Torn Skies
3.      Never Meant To Be
4.      Poison Lies

Line-up:
Emil Kyrk – vocais
David Lecander – baixo
Per-Owe Solvelius – guitarras
Clas Sjöstrand – teclados
Janne Jaloma – bateria
Internet:

Terça-feira, 29 de Maio de 2012

Review: Felicity (Phobos Corp.)

Felicity (Phobos Corp.)
(2012, Edição de Autor)

Já alguma vez pensaram o que aconteceria se alguém conseguisse, simultaneamente, congregar o melhor dos Therion, Sirenia e Daemonia? Pois bem, esse alguém surgiu. O seu nome é Spyrus Papadakis é um músico grego e é o mentor do projeto Phobos Corp.. Felicity é o seu segundo trabalho na forma de um EP de 4 temas e é o trabalho de metal sinfónico mais excitante desde Theli! Verdadeiramente fenomenal! Coros majestosos, apontamentos sinfónicos fabulosos, linhas melódicas verdadeiramente arrepiantes, desempenho vocal assombroso e muito poder metálico fazem destes pouco mais de vinte minutos uma verdadeira obra-prima, onde qualquer adjetivo é manifestamente insuficiente e incapaz de traduzir a verdadeira beleza deste pequeno diamante. Deixem-se seduzir pela ricamente decorada entrada de One Eternal (Felicity’s Song) ou pela secção cinematográfica em Conceived Fate ou, finalmente, pela soberba peça instrumental/coral que é Angels In Despair com um deslumbrante conjunto de diferentes camadas melódicas. O único senão é que Felicity acaba muito depressa. Por isso o melhor é ouvir vezes sem conta… Ou então esperar que o Sr. Papadakis nos presenteie em breve com outra obra do mesmo calibre mas em tamanho XXL. Aliás, isso deve acontecer em breve porque estes temas fazem parte de uma história conceptual na qual o músico grego tem vindo a trabalhar nos últimos três anos. Nós ficamos ansiosamente à espera.

Tracklist:
1.      One Eternal (Felicity’s Song)
2.      Conceived Fate
3.      This Divine Tragedy
4.      Angels In Despair

Line-up:
Spyrus Papadakis – teclados
Tara – vocais
Mark Jones – guitarras e baixo
Chris Sutherland – bateria
Jon Ong e Zach Lemmon  – arranjos orquestrais
Shoi Sen – guitarra solo
Greg Tomao - guitarras

Internet:

Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

Entrevista: Ashes

Pegar na história de Alice no País das Maravilhas e a partir dela construir um álbum de metal pode parecer, à primeira vista, uma ideia arriscada. Não o consideraram assim os Ashes que assim, cinco anos após o seu EP de estreia, regressam às gravações e apresentam Ecila, um trabalho onde a criatividade e originalidade são os principais traços. A banda de Tomar juntou-se para compartilhar com Via Nocturna todas as emoções que rodearam o nascimento deste agradável trabalho.



Viva! Cinco anos em silêncio no que diz respeito a edições discográficas. O que andaram os Ashes a fazer?
Olá! Bem, parecendo que não, fizemos bastantes coisas. Após o EP de 2007 houve o seu período normal de divulgação e actuações ao vivo, sensivelmente durante dois anos. Mas nós nunca paramos de compor, e com o que começou a surgir nos ensaios começámos a pensar no que iriamos fazer para um próximo trabalho. Foi aí que iniciamos todo o processo de criação do Ecila. Entretanto também acolhemos um novo membro na banda numa troca de baixistas. A partir daí, foi compor e compor arduamente, limando todas as arestas das músicas que iam fazer parte do álbum. Depois veio a fase de gravações no estúdio, pós-produção, organização das tarefas e objetivos que queríamos cumprir e muitas burocracias até o álbum estar finalmente cá fora. Isto sempre sem deixar de marcar presença em alguns concertos, que também não conseguimos parar de tocar ao vivo.



Ou seja, pelo que me pude aperceber pela leitura do vosso press release, estiveram ocupados com atuações e participações em concursos. Como vêm esse tipo de competições entre bandas nesses concursos?
Não dizemos que não a participar em qualquer bom evento, mas actualmente já passámos um pouco a fase dos concursos. É verdade que são uma boa oportunidade tanto para mostrar o nosso som a mais público, como também para testar melhor o seu impacto. Mas por mais apelativos que sejam, por vezes perdem a sua piada, porque vemos várias bandas - algumas das quais somos amigos - a competir, o que cria uma certa tensão no convívio das mesmas. É um pouco injusto e também ingrato termos de competir seja sobre o que for em concursos, principalmente quando as bandas são muito diferentes entre si. De qualquer modo foram experiências muito enriquecedoras a vários níveis.



E os Ashes tiveram sempre participações meritórias, certo?
Felizmente sim. Quer dizer, não diríamos sempre, que há aquele ou outro que não corre tão bem, mas a verdade é que até correram melhor do que esperávamos. Como temos um som algo peculiar, ficámos muito contentes por ter sido tão bem aceite e elogiado.



Deixando o passado, concentremo-nos em Ecila. Este é um álbum conceptual baseado na história de Alice no País das Maravilhas. De que forma é feita a transcrição da história para os vossos conceitos lírico e musical?
Por acaso até foi mesmo a própria música que deu o mote para iniciarmos o conceito do Ecila. Quando estávamos a compor livremente, sem qualquer conceito em mente, reparámos que estávamos a criar temas um pouco mais soturnos que o habitual e, de certa forma, mais complexos e ricos em pormenores. Tanto que achámos por bem criar um fio condutor para esses temas, e acabámos por nos inspirar na história do Sr. Lewis Carroll, dando-lhe um ligeiro twist. Tal acabou por funcionar bem, porque as ideias que apareciam quase sugeriam pequenos diálogos entre personagens diferentes devido às constantes alterações que certos temas tinham. Daí começámos a desenvolver versões mais mórbidas de alguns dos personagens de Alice, e demos-lhes a nossa própria cunha.



E de que forma cinco anos se refletem na vossa forma de compor e interpretar?
Cinco anos é bastante tempo, como podes calcular. As pessoas mudam, o mundo muda, e tudo isso se reflecte na composição. Se bem que nós mantemos um estilo de base já desde a altura do nosso EP de 2007, quisemos subir a fasquia um pouco no Ecila. Puxámos por mais experimentalismo, passámos muito tempo a explorar novos conceitos e tivemos uma grande preocupação com os detalhes que se calhar algumas pessoas só se aperceberão após ouvirem algumas vezes os temas. Cremos que crescemos na direcção que desejávamos. Aproveitamos para adiantar uma curiosidade: os temas do Ecila, que contam uma história em seis capítulos, foram ficando finalizados precisamente pela ordem que estão no álbum. Assim, estes contam a história do álbum, mas de certo modo também a nossa. Entretanto, e mesmo antes do Ecila sair, já iniciámos novos temas que têm uma outra sonoridade. A evolução não pára.



Um dos elementos preponderantes na vossa sonoridade é o violino. Este não é usado como frequentemente costuma ser, na minha opinião. O termo excêntrico é vosso e parece-me que se adapta bem…
Essa foi uma descrição que nos fizeram do uso do violino e adorámos. Realmente a nossa ideia para o violino foi não fazer dele aquele instrumento de solos e apoio a refrões. Deveria ser encarado como um qualquer instrumento de cordas, como uma guitarra ou baixo. Com a sua função própria é claro, mas digamos que sem tratamento especial. E o curioso é que por nós acharmos que este deve ser encarado como um instrumento qualquer isso torna o seu uso excêntrico…



The Kind Of Strange foi o primeiro single extraído do álbum. Porque escolheram este tema em particular?
Na verdade tivemos algum tempo a tentar decidir que tema seria o single. O que é bom, quer dizer que não conseguimos destacar logo à partida um deles, atingindo um dos objetivos da banda que era não fazer temas que não nos satisfizessem na totalidade (os chamados “temas para encher chouriços”). Já estávamos nós perto do lançamento do álbum e não tínhamos uma decisão, até que surgiu a oportunidade de nessa altura colocarmos um tema na compilação da Infektion. E de repente, para todos, a The Kind Of Strange pareceu-nos o tema ideal: é um tema com impacto, com uma construção interessante, diferente, que passa por diversos momentos. Característico de Ashes, dispõe algum do experimentalismo a que nos dedicámos e reflecte bem o ambiente do álbum. Ao vivo era um dos que causava melhor resposta do público. E assim foi, e parece-nos que foi uma boa escolha.



Como decorreu o processo de gravação do álbum?
Muito bem. Antes de irmos para estúdio preparámos tudo o melhor que podíamos, para otimizar o tempo. Mas mesmo assim, há sempre retificações a serem feitas, e nisso tivemos uma grande ajuda do Pedro Carvalho do Zero Estúdio, que foi o timoneiro ideal das gravações do Ecila. Sempre com uma paciência de santo esteve lá ajudar-nos ao máximo, fez bem mais do que era a sua obrigação e isto tudo sempre num óptimo ambiente. Acho que a única coisa negativa que podemos apontar foi ter levado bem mais tempo do que contávamos, mas somos apologistas que mais vale fazer as coisas devagar e bem.



Este é um trabalho em formato independente, como já havia acontecido com a vossa estreia. Ainda assim, verificou-se alguma mudança em relação à forma como ambos os trabalhos foram produzidos e/ou distribuídos?
Na produção são completamente diferentes. O EP foi totalmente self-made e íamos aprendendo muita coisa à medida que o íamos fazendo. No Ecila decidimos que era merecedor de um tratamento mais cuidado, com gravação, mistura e masterização em estúdios profissionais. Optámos também por um artwork mais elaborado de modo a ser um complemento à música do álbum, que ficou a cargo do nosso amigo fotógrafo Jaime Veloso. A ideia na distribuição no Ecila era desta vez não ser uma edição de autor mas infelizmente à última da hora a nossa parceria teve problemas e falhou essa parte. Para não perdermos mais tempo do que já tínhamos perdido decidimos avançar novamente com a edição de autor, mas desta vez mais organizada e com algum apoio externo, como de algumas lojas por exemplo. Mas ainda vamos a tempo de arranjar um outro tipo de distribuição.



Dada a qualidade apresentada, já tiveram contactos de alguma editora tendo em vista uma possibilidade de associação ou não?
Obrigado pelo elogio. Até agora não tivemos nenhum contacto. De que estão à espera? (risos) Mais a sério, isto não é um meio fácil, nem nós temos um som que encaixe bem num certo estilo. Mas nós acreditamos que essa é uma vantagem nossa, e vamos ver se em breve poderemos ter novidades neste aspecto.



Há já projectos para um processo de internacionalização dos Ashes? Ou seja, há alguma possibilidade de Ecila ter uma distribuição alargada a outros mercados?
Continuando as respostas anteriores, vamos ver o que nos reserva o futuro neste aspecto. Para já sentimo-nos confortáveis a fazer toda a distribuição do álbum.



Como está a ser a apresentação do álbum ao vivo? O que está planeado?
Para já está a ser muito bem recebido, o que nos deixa imensamente satisfeitos. Já demos alguns concertos na zona centro do país, fizemos a apresentação oficial na nossa cidade de Tomar e os planos são arranjar mais concertos noutros centros urbanos como Lisboa, Porto, Coimbra, etc. E mais tarde, atacar o estrangeiro também. Neste momento queremos mesmo tocar o mais possível para divulgar o nosso trabalho.



A terminar, querem acrescentar algo que ainda não tenha sido abordado?
Antes de mais, agradecer a oportunidade concedida pela Via Nocturna e saudar o bom trabalho que faz na divulgação da música nacional. Para finalizar, convidar todos a conhecer o nosso trabalho, a visitar a nossa página ou facebook, mas principalmente a passar nos nossos concertos, pois pensamos que é aí que demonstramos o verdadeiro potencial dos Ashes.

Domingo, 27 de Maio de 2012

Review: Inferno (Shadowsphere)

Inferno (Shadowsphere)
(2012, Edição de Autor)

Depois de um hiato de seis anos é sempre bem recebido um novo trabalho de uma das mais competentes bandas nacionais do death/thrash metal de tendências mais melódicas. E ainda é mais bem-vindo quando se trata de um regresso a um nível que não deslustra o passado da banda e, ainda por cima, relança a sua carreira. Inferno é um disco com metal para todos os gostos. Dos mais extremos, entenda-se! Com uma intro e um interlúdio atmosférico, o disco ainda fica com nove temas suficientemente diversificados para manterem os ouvintes atentos. Numa primeira fase, numa linha mais thrash-quase-heavy, com belíssimas harmonias e solos muito melódicos. A presença de Patrícia Rodrigues em dueto na faixa Sworn Enemy surte um belo efeito. Paulatinamente a banda vai aumentando a sua dose de peso e agressividade e, por alturas do meio do álbum, nota-se alguma monotonia com o peso a ganhar algum avanço em relação à técnica demonstrada anteriormente. No entanto, para o final está guardado o mais brilhante momento de Inferno: as três partes de Alone At The End Of The World são fantásticas com, mais uma vez, Patrícia Rodrigues a espalhar o seu perfume num tema que por si só já se poderia apelidar do melhor do disco e, eventualmente, da carreira da banda. Inferno acaba por se revelar um trabalho agradável, interessante e sólido. E acima de tudo, marca o nome Shadowsphere e regista a progressão e crescimento da banda lisboeta.

Tracklist:
1.      Inferno
2.      Within The Serpent’s Grasp
3.      Sworn Enemy
4.      Dead Behind My Eyes
5.      Suicide Reign Of Salvation
6.      Bullet Rain
7.      The Hurtlocker
8.      Firewalker
9.      Gehenna
10.  Screaming Silence
11.  Alone At The End Of The World

Line-up:
Paulo Gonçalves – vocais
Luís Miguel Goulão – guitarras
Ricardo Trincheiras – guitarras
João Sousa – baixo
Emídio Ramos – bateria

Internet:

Sábado, 26 de Maio de 2012

Entrevista: Winter's Verge

Na sequência do sucesso de Tales Of Tragedy, os cipriotas Winter’s Verge orgulham-se de no seu terceiro álbum, Beyond Vengeance, terem conseguido superar-se a si mesmo. Mais forte e com mais groove, mas mantendo sempre a linha melódica que os caracteriza, Beyond Vengeace resulta num trabalho fresco e poderoso. Através do vocalista George Charalambous, Via Nocturna, foi conhecer um pouco mais deste grupo.

Obrigado por aceitares responder a Via Nocturna. Beyond Vengeace marca o vosso regresso com o terceiro trabalho. Comparando com os vossos trabalhos anteriores observamos que este representa um passo em frente em todos os aspectos. Concordas?
Definitivamente, Beyond Vengeance é um passo em frente para nós. Primeiro de tudo, porque expandimos o nosso estilo musical e colocámos novas sonoridades neste álbum. Estamos felizes com isso porque sabemos agora que o próximo álbum vai continuar a partir do ponto onde paramos com este, o que torna as coisas mais interessantes para nós e para os fãs da banda.

Como referiste, e eu concordo, desta feita expandiram as vossas influências e criaram um álbum mais variado. É também neste particular que se nota esse passo em frente…
O que acontece nos Winter’s Verge é que todos nós viemos de diferentes origens musicais e ouvimos diferentes estilos de música. Desta vez não introduzimos intencionalmente outros estilos. Apenas não filtrámos essas ideias quando elas surgiram. Nos álbuns anteriores, talvez tivéssemos demasiadas preocupações sobre o estilo, mas agora não.

Quais eram, se é que havia, as vossas principais intenções/objetivos quando começaram a escrever este novo trabalho?
Na verdade, não havia nenhum. O "objectivo", se assim o queres chamar, era a nossa decisão de realmente fazer um álbum melhor. Além disso, nós apenas deixamos fluir as ideias, mantivemos as que achávamos que eram as boas e descartamos as não tão boas.

Mais uma vez, este é um trabalho gravado na Alemanha. Sentem-se confortáveis lá…
Na verdade sim. Estamos muito confortáveis lá e nossa equipa é muito boa. O nosso engenheiro de som Christian Schmid e o nosso produtor RD Liapakis RD são excelentes no que fazem e realmente fazem-nos sentir em casa. O estúdio é em Kempten que é uma pequena e tranquila cidade na Baviera e para nós é o ambiente perfeito para fazer um álbum, especialmente quando tudo tem que ser feito em 13 dias.

Voltando ao passado, em 2010 chegaram à Massacre Records. Que importância teve essa opção no vosso futuro?
Quando se vai para uma editora maior e mais ativa geralmente têm-se resultados positivos. Foi ótimo para nós porque estivemos expostos a mais pessoas e algumas delas tornaram-se fãs nos dois anos que se seguiram.

Inicialmente havia aquela curiosidade de serem uma banda oriunda de Chipre. Agora, sentem que essa curiosidade desapareceu e deu origem ao reconhecimento pela música que praticam?
Eu acho que esse efeito curiosidade com o tempo tem vindo a ser ultrapassado, embora ocasionalmente ainda ocorra. Nada realmente mudou muito por causa do estilo musical.

Por falar nisso, uma vez que o vosso país nem é uma referência no que diz respeito ao metal internacional, isso teve ou tem alguma influência no vosso crescimento e na vossa aceitação?
Atualmente não importa de onde és, porque a internet torna todo mundo mais perto. Se estivéssemos nos anos 80, aí sim, certamente teríamos mais dificuldades em sair daqui. Mas agora podes estar em qualquer lugar e viajar apenas quando há espetáculos ou gravações, porque tudo o resto pode ser feito onde estiveres. Dois elementos dos Winter’s Verge vivem em Inglaterra e os outros três em Chipre e existimos sem grandes problemas. Isto serve para mostrar que a tecnologia hoje pode fazer qualquer coisa acontecer, em qualquer lugar!

Mas sendo vocês um nome e um projeto com visibilidade tem possibilitado a abertura das portas a outras bandas do vosso país ou nem por isso?
Sim, tem ajudado. As pessoas finalmente viram que o que fazemos pode ser feito e existem maneiras de o fazer. Muitas bandas costumavam sentar-se em casa e lamentavam-se de que não havia maneira de progredir estando num país pequeno. Agora, o pensamento mudou porque já viram que uma banda de Chipre conseguiu.

Mudando de assunto, podes descrever aos nossos leitores o que consiste o vosso rockumentary da tour com Stratovarius?
Bem, basicamente, nós pensamos que seria uma vergonha se não registássemos o mais que pudéssemos tudo o que estava a acontecer. Quisemos documentá-lo para os nossos arquivos pessoais, mas quando vimos as imagens pensámos que seria fantástico compartilhá-las. Não foi feito com câmaras profissionais, é claro, foi apenas nós próprios segurando uma câmara à mão. A coisa interessante sobre este Rockumentary é que realmente podes ter uma pequena ideia de como é fazer uma tournée. É bom para as bandas mais jovens que ainda não tiveram a oportunidade de chegar lá para verem como funciona.

Como essas experiências vos influenciaram, ou não, no processo de escrita deste novo álbum?
Qualquer experiência na vida inspira um compositor. A tournée permitiu-nos observar quais os temas que mais puxavam pela audiência. E isso permitiu-nos adicionar neste álbum os elementos que as pessoas mais gostam. E é claro que todas as experiências podem ser transformadas em influência.

A terminar, alguma coisa mais que queiras acrescentar?
Estamos muito animados com a ideia de ir em tournée para promover Beyond Vengeance. Isso provavelmente vai acontecer por volta de outubro. Vamos anunciar em breve com quem vamos estar em tournée e onde. Vimos que a nossa base de fãs tem crescido bastante nos últimos dois anos e esperamos conhecer novas pessoas na estrada. Até lá, rock on!